A gente lemos: Turma da Mônica – Laços, por Poderoso Porco

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Eu realmente não sei por onde começar esse texto.
Pela primeira vez que eu li o Vitor Caffaggi, lá em Punny Parker?
Quando eu conheci a Lu Caffagi, no lançamento do Lady’s Comics?

Salto tudo: vamos ao FIQ de 2011 quando, de dentro do aquário reservado para as palestras, Sidney Gusman, esse “gigante pra ninguém botar defeito”, anunciou o tal projeto de Graphics MSP – histórias longas, com uma abordagem diferente, mais madura, envolvendo os personagens da Maurício de Sousa Produções. Pra deixar claro que não estava de brincadeira, logo de cara esse cidadão corintiano soltou quatro teaserezes sobre as HQ’s. Nós aqui de BH, da galerinha do Clube de Leitura da Gibiteca, fomos pegos com as calças na mão: como assim uma das graphics vai ser com o Vitor e a Lu? E justamente aquela envolvendo A turma da Mônica?

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O tempo correu e, depois de muito “lança-não-lança”, pude pôr minhas mãos em Laços. Desculpa se parece tendencioso, mas eu (e muita gente) tinha certeza de que ia ser foda. Fosse porque a delicadeza e o cuidado (sem falar da competência) do Vitor e da Lu já são mais do que conhecidos, fosse porque Astronauta – Magnetar, do Danilo Beyruth, já tinha mostrado que o nível da coisa toda era bem alto (quem conhece o Sidney, quem ouve as histórias do editor Sidney Gusman sabe o nível que ele estabelece pro que vai levar seu nome), aquele teaser já tinha sido muito claro – não ia ser menos do que ducacete!

E foi.

Em Laços, o Floquinho, o cachorro verde do Cebolinha, desapareceu. Formando uma força-tarefa infalível, Mônica, Magali e Cascão se unem ao garoto que fala elado para procurar. O resultado? O resultado é Goonies, é E.T., é Conta Comigo… O resultado é a sua infância trazida de volta em pouco menos de 80 páginas.

Como disse o Fábio Ochôa, em sua “resenha em quadrinhos”:

Fabio Ochôa

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Laços é um álbum terno e tocante, gostoso de ler e que, infelizmente, acaba rápido demais. Vitor e Lu conseguiram captar toda a essência da Turma e ainda assim, dar um passo além. Isso inclusive está explícito, já que, se não me falha a memória, nas HQ’s regulares da MSP a Turminha tem idade pré-escolar, e em Laços já estão por volta dos sete anos de idade – há um ar de novidade, de avanço e, ao mesmo tempo, de que as coisas são exatamente como a gente está acostumado. Laços é um gibi da Turma da Mônica e, ao mesmo tempo, é muito diferente de um gibi da Turma da Mônica. Palmas aos Cafaggi por gerarem esse “duplipensar” maravilhoso.

Antes de terminar, é preciso comentar as artes: o trabalho do Vitor a gente já tá careca (uns mais do que os outros) de saber como é, ou seja, foda. Pela primeira vez numa história longa, a Mônica realmente parece gorducha (ainda que menos dentuça). Por isso, justamente pelo “grande público” já conhecer a arte do Vitor, é que a grande surpresa do álbum certamente será a arte da Lu (que faz os flashbacks). Pidalolas! Vou te contar, amiguinhos, a Srtª Lu Cafaggi detona! É ela quem faz a abertura do álbum e santo macarrão, é bonito demais. Sua arte traz um ar orgânico e dinâmico que mesmo o Vitor, mais escolado, pouco se aproxima. Tem um quê de J. Márcio Nicolosi (ele próprio da MSP) e Cyril Pedrosa (Três Sombras) que são de encher os olhos. É belíssimo – e tão pouquinho… Ainda sobre o trabalho da Lu, no lançamento o Afonso Andrade me chamou atenção para o fato de que, se considerando envolvimento, tiragem e alcance, talvez esse seja o maior trabalho em HQ já feito por uma mulher no Brasil. Dei uma pesquisada aqui e, não lembrando de indícios que refutem a teoria do Afonso, só posso dizer que a produção feminina em larga escala, no Brasil, começou muito, mas MUITO bem.
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Enfim. Se você não entendeu, Laços é lindo. É, essa palavra mesmo, “lindo”. E de hoje em diante, sempre que alguém me perguntar se eu “não tive infância” porque ainda compro HQ’s e brinquedos, vou dizer que sim, tive infância sim. E ela foi eternizada naquele terceiro álbum, da esquerda pra direita, na segunda primeira prateleira…

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Turma da Mônica – Laços, de Vitor e Lu Caffagi. Editora MSP/Panini. 80 páginas. R$ 19,90 (capa cartonada) e R$29,90 (capa dura)

Nota: 10

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  1. Pingback: As HQs dos irmãos Cafaggi | Blog da Itiban

  2. Heitor Pitombo

    Porco, muito legal a resenha. Mas ouso dizer que, em termos de mulheres fazendo HQs no Brasil, vale lembrar que a Cynthia roteirizando o Leão Negro e a Ciça fazendo o Pato, possuem obras bem mais consistentes. Mas, se pegarmos as últimas gerações de meninas que fazem quadrinhos (Chiquinha, Cynthia, Samantha Floor etc), a Lu tem um lirismo que suas contemporâneas ainda não atingiram.

    • Poderoso Porco

      Valeu, Heitor!
      Mas por isso levamos em consideração o alcance.
      Com a tiragem de (supomos) mais de 30.000 exemplares, com distribuição também para a Europa, a Lu tomou a dianteira, não?

      • Heitor Pitombo

        Calma, Porco. O Leão Negro foi lançado na Europa pela Meribérica e ocupou uma página dominical inteira (e colorida) no suplemento O Globinho (d’O Globo) durante alguns anos. Já a Ciça, com o seu Pato, produziu uma das tiras mais combativas no período da ditadura, ao lado do Zeferino do Henfil e do Rango do Vasques. Não precisa botar essa responsa toda nas costas da Lu ainda não, hehehe… É o primeiro grande trabalho dela, que desenhou menos de 20 páginas no maravilhoso livro editado pelo Sidão. Quero ver uma obra de fòlego só dela, de preferência com personagens criados pela própria, pra gente ver de verdade como ela vai se posicionar dentro dessa hierarquia que, infelizmente, ainda é restrita a muito poucas.

  3. Li lá mesmo na Biblioteca Infantil, no lançamento, enquanto esperava minha vez na senha dos autógrafos.
    Ri. Chorei. Emocionei. Me pergunto se a Lu, que estava logo ao lado autografando, notou as caras que eu devo ter feito enquanto lia.
    Estou com ele agorinha aqui, na minha frente, pra ler de novo, e estudar esses traços lindos dos dois: como disse a eles, sou ilustradora, já tenho 27 anos, mas quero ser como eles quando eu crescer!

  4. jesusunderline

    como não pude comprar o Astronauta com capa dura, só a comum, vou ter que comprar todos os outros com capa comum tambem, pra não estragar a coleção na pratileira

    • Poderoso Porco

      Cara, aqui ficou um samba do afrobrasileiro doido: Magnetar eu comprei na capa cartonada, porque tava pilhado pra ler logo e na ocasião não tinha o capa dura.
      Laços a mesma coisa mas… Só tinha o capa dura. Ou sejE: tá tudo esculhambado na coleção – tanto que os dois estão em prateleiras separadas, inclusive…

  5. Carajo, que propaganda hein?Deve ser muito bom mesmo.Ficarei 30 pila (ainda)mais pobre, mas é barato pra um retorno bacana ao passado.
    Infelizmente tem babaca que vai ler isso no rapadura…Porra, quer baixar scan, baixa de material que não tem aqui, de podreira mensal da marvel/DC, de material de difícil acesso e/ou coisas muito antigas.A grana é o lubrificante da engrenagem,vamos prestigiar.

  6. Li ontem, e é um trabalho maravilhoso. Pra quem cresceu lendo a Turma da Mônica, pra quem nunca leu, pra quem tem filhos, é emocionante.

    O mais legal é que não trata crianças como peças de vidro. Criança briga, se suja, fala besteira mesmo. Muito inteligente e honesto. Nota 10.

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